Noss@s filh@s tendem a seguir nossos posicionamentos
ideológicos; tendem a se identificar com @s candidat@s n@s quais votamos. Acho
isso legal. Fico feliz em ver minha filha dizer que vota (mesmo não votando) n@
candidat@ em quem voto. Isso me diz que estou conseguindo passar a ela certos
valores sociais e políticos que são importantes para mim. Considero o voto uma
ação de cidadania e, em muitos casos, de justiça social. Ver que ela se
identifica com minhas escolhas é muito gratificante.
Mas nossa capacidade de influenciar noss@s filh@s não está cercada
apenas de coisas boas. Nossa força de
influência (política, ideológica, ética, religiosa etc.) pode
dar abrigo a um monstro devastador, o ódio.
As eleições deste ano já superam as de 1989 na propagação do
ódio. Eu era criança quando Lula enfrentou Collor. Me lembro vagamente do quanto
a campanha de Collor foi efetiva na propagação de ódio e de fobia ao suposto
comunismo do PT. Mas imagino que aquela disputa perde feio para a campanha de
ódio mútuo que está em curso no momento.
A coisa está tão séria que a formação política de nossas
crianças está descambando para o cultivo do ódio. Uma coisa é uma criança se
identificar afetivamente com @ candidat@ d@ pai/mãe, outra coisa, bem diferente,
é uma criança desenvolver ódio a algum@ candidat@ adversário. Infelizmente,
tenho visto pais/mães mostrando nas redes sociais, como uma espécie de troféu, @s
filh@s vociferando ódio e fobia a algum@ candidat@. Fico triste.
Cultivar o ódio é algo abjeto e irreversível. Plantar no
coração de uma criança a semente do ódio por alguém é, para mim, algo irracional
e execrável. Creio que muit@s pais/mães fazem isso sem refletir, sem pensar nas consequências e implicações dessa atitude na formação ética d@ filh@.
E a coisa fica muito pior quando @ pai/mãe, que está gestando o ódio n@ filh@,
se identifica como cristão. É uma desfaçatez descomunal.
Quero muito que minhas filhas se identifiquem com as minhas
posições ideológicas e com @s candidat@s n@s quais voto, mas vou lutar muito
para que os meus ódios (eu tenho, você tem, todo mundo tem... "só a bailarina que não tem") jamais sejam
transmitidos a elas. Sei que não vou conseguir eliminar a transferência de todos,
mas vou lutar. Quero influenciá-las por meio da afirmação e do afeto positivo.
Eu não quero ser um plantador de ódio.
P.S. Não precisa jogar na minha cara que minhas postagens, às
vezes, desferem rajadas de ódio, especialmente contra um segmento da classe
média brasileira, por exemplo, presente no texto "Como pensa um sujeito típico da classe média". Eu sei. Faço isso por não suportar ver as manifestações de ódio dessa gente contra as minorias (étnicas, religiosas, sexuais etc.) e contra os pobres. Não
precisa me dizer que, ao fazer isso, acabo me enroscando numa tremenda
contradição. Tenho consciência disso. Usar ódio no combate ao ódio não é só uma
contradição filosófica; é um erro ético elementar. Não me orgulho do que eu
faço.
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